{"id":221,"date":"2016-06-07T22:51:40","date_gmt":"2016-06-08T01:51:40","guid":{"rendered":"https:\/\/gustavoassisceramica.wordpress.com\/?p=221"},"modified":"2020-06-28T22:35:55","modified_gmt":"2020-06-29T01:35:55","slug":"esmalte-shino-a-simplicidade-ilusoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/pt\/esmalte-shino-a-simplicidade-ilusoria\/","title":{"rendered":"Esmalte Shino &#8211; A simplicidade ilus\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Cer\u00e2mica Shino<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"> A cer\u00e2mica Shino foi o produto dos fornos das cer\u00e2micas Mino, na cidade de Toki, prov\u00edncia de Gifu, no Jap\u00e3o. Suas pe\u00e7as eram\u00a0famosas por seu esmalte espesso, &#8220;branco como a neve&#8221; com marcas de \u201clabaredas&#8221; escarlates\u00a0que perecem estar bem abaixo da camada do esmalte. Shino tamb\u00e9m \u00e9 um tipo de esmalte, nascido no forno das cer\u00e2micas de mesmo nome, originado na era Momoyama (1573-1615). Naquela \u00e9poca, por causa das cer\u00e2micas brancas serem consideradas valiosas, Shino foi o esmalte criado\u00a0saciar esse desejo. Ele fascinou gera\u00e7\u00f5es de japoneses e inspirou o escritor Yasunari Kawabata a escrever o seu livro \u201cMil Tsurus\u201d. As formas t\u00edpicas para o Shino s\u00e3o tigelas de ch\u00e1, pratos de pequeno e m\u00e9dio tamanhos para o uso na cerim\u00f4nia do ch\u00e1.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>O grande ceramista japon\u00eas Toyoz\u014d<i>\u00a0<\/i>Arakawa, respons\u00e1vel pela redescoberta das t\u00e9cnicas caracter\u00edsticas da cer\u00e2mica Shino no s\u00e9culo XX, disse o seguinte:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\"><em>Dentre todas as coisas que existem, Shino \u00e9 o gosto japon\u00eas mais profundo&#8221;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p1\">Hoje em dia, diversos ceramistas ocidentais renomados\u00a0aplicam\u00a0o esmalte Shino em suas pe\u00e7as, sendo muito apreciado\u00a0dentro e fora do Jap\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_242\" style=\"width: 435px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-242\" class=\"wp-image-242 size-full\" src=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sim.jpg\" alt=\"\" width=\"425\" height=\"339\" srcset=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sim-300x239.jpg 300w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/sim.jpg 425w\" sizes=\"(max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><p id=\"caption-attachment-242\" class=\"wp-caption-text\">Chawan Shino com decora\u00e7\u00e3o em tetsu-e<\/p><\/div>\n<p class=\"p1\"><b>Esmalte Shino<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"> Genericamente, tem como o \u00fanico ingrediente o feldspato embora alguns autores afirmam que, originalmente, era uma mistura de feldspato e cinzas. Esse\u00a0esmalte \u00e9, na\u00a0maioria dos casos, aplicado com uma camada grossa.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_627\" style=\"width: 490px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-627\" class=\"wp-image-627 size-full\" src=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/shinoyuu_touroji.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/shinoyuu_touroji-120x80.jpg 120w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/shinoyuu_touroji-300x200.jpg 300w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/shinoyuu_touroji-360x240.jpg 360w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/shinoyuu_touroji.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><p id=\"caption-attachment-627\" class=\"wp-caption-text\">zoom do esmalte Shino. fonte: touroji.com<\/p><\/div>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A aplica\u00e7\u00e3o espessa do esmalte tem como efeito o aumento da brancura\u00a0da pe\u00e7a e\u00a0tamb\u00e9m a facilidade de ocorr\u00eancia de furos no esmalte (<i>pinholes<\/i>), dois aspectos desej\u00e1veis nesse caso. Por outro lado, essa aplica\u00e7\u00e3o espessa pode criar resultados indesej\u00e1veis como o n\u00e3o derretimento\u00a0completo do esmalte, derretimento excessivo e escorrimento ou ent\u00e3o a n\u00e3o apari\u00e7\u00e3o das manchas escarlates. Na verdade, a propor\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as de Shino que saem do forno com resultado satisfat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 muito alta.<\/span><\/p>\n<ul class=\"ul1\">\n<li class=\"li1\"><span class=\"s1\">Um exemplo de composi\u00e7\u00e3o do esmalte Shino: Feldspato de Hiratsu 100%<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"> O feldspato de Hiratsu tem sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica muito caracter\u00edstica e se assemelha muito com o mineral sienito nefel\u00ednico. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"> Uma peculiaridade do esmalte Shino \u00e9 que aparecem aleatoriamente na superf\u00edcie branca da pe\u00e7a, furos da cor escarlate (pinholes). <\/span><span style=\"line-height: 1.7;\">Esse contraste entre a superf\u00edcie branca do esmalte e\u00a0os pinholes s\u00e3o muito apreciados pelos conhecedores e\u00a0<\/span><span style=\"line-height: 1.7;\">pode-se dizer que cada pe\u00e7a de Shino possui sua pr\u00f3pria individualidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">Al\u00e9m disso, s\u00e3o comuns os casos onde s\u00e3o aplicados na pe\u00e7a a decora\u00e7\u00e3o adicional de <i>tetsu-e<\/i> (pintura com \u00f3xidos de ferro), sendo amplo o espectro decorativo\u00a0para o Shino.<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>A argila<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Para que a brancura do Shino possa ser real\u00e7ada, \u00e9 preciso escolher a argila. O \u00a0uso da porcelana branca n\u00e3o \u00e9 recomendado, pois n\u00e3o existir\u00e3o grandes mudan\u00e7as na tonalidade do branco entre o esmalte e a argila. Por outro lado, a<\/span><span class=\"s1\">s argilas com alto teor de ferro exercem um efeito negativo na brancura do esmalte Shino. Para evitar a colora\u00e7\u00e3o por part\u00edculas de ferro, \u00e9 desej\u00e1vel o uso de argilas\u00a0com baixo teor de ferro.\u00a0<\/span><span class=\"s1\">Por exemplo, no caso da argila comumente utilizada para esse caso,\u00a0conhecida como Mogusatsuchi &#8211; ela \u00e9 conhecida pela facilidade em\u00a0aparecer pontos escarlates e tem\u00a0baixa retra\u00e7\u00e3o\u00a0p\u00f3s queima. Seu teor de ferro tamb\u00e9m \u00e9 baixo (por volta de 1,5%), tendo assim uma boa compatibilidade com o esmalte Shino. Ao observar a argila, ela possui uma textura leve e suas min\u00fasculas part\u00edculas de ferro fazem brotar o escarlate.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-551\" src=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/t0303079-x.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/t0303079-x-300x225.jpg 300w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/t0303079-x-500x375.jpg 500w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/t0303079-x.jpg 560w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Figura: apar\u00eancia da argila Mogusatsuchi ap\u00f3s a queima &#8211; superior esquerdo &#8211; oxida\u00e7\u00e3o sem esmalte; superior direito &#8211; oxida\u00e7\u00e3o com esmalte; inferior esquerdo &#8211; redu\u00e7\u00e3o sem esmalte; inferior direito &#8211; redu\u00e7\u00e3o com esmalte. Fonte: Tougeishop.com<\/p>\n<p><b>Condi\u00e7\u00f5es da queima final<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"> Em seguida, vamos falar sobre o m\u00e9todo de queima final. Geralmente, o que se sabe sobre o m\u00e9todo de queima final \u00e9 que \u201cdepois de aumentar a temperatura vagarosamente, na mesma dura\u00e7\u00e3o de tempo, diminui-se vagarosamente a temperatura\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"> No forno \u00e0 lenha, que tem como programa\u00e7\u00e3o a queima durante v\u00e1rios dias, 2 \u00e0 3 dias s\u00e3o gastos para subir a temperatura \u00e0 1.200\u00ba C. Ao passar por 900\u00ba C,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>a pe\u00e7a \u201crespira&#8221; g\u00e1s na atmosfera de redu\u00e7\u00e3o e a temperatura vai sendo aumentada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"> Ent\u00e3o, da temperatura mais alta at\u00e9 o estabelecimento do escarlate, aos 900\u00ba C, gasta-se um dia inteiro e a temperatura vai abaixando lentamente e o mesmo n\u00famero de dias gastos para o aumento da temperatura s\u00e3o gastos para o resfriamento vagaroso. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"> O escarlate acumulado na superf\u00edcie da pe\u00e7a \u00e9 devido \u00e0 pigmenta\u00e7\u00e3o do di\u00f3xido de ferro (min\u00e9rio de ferro vermelho) mas, se resfriado rapidamente, o di\u00f3xido de ferro n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar \u00e0 superf\u00edcie. Al\u00e9m disso, sabe-se que na hora do resfriamento vagaroso, se n\u00e3o houver uma atmosfera de redu\u00e7\u00e3o, o escarlate n\u00e3o surge.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Estas s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es essenciais para a ocorr\u00eancia do escarlate:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li class=\"li1\"><span class=\"s1\">Teor de part\u00edculas min\u00fasculas de ferro: 1 \u00e0 1,5%<\/span><\/li>\n<li class=\"li1\"><span class=\"s1\">Aumento gradual da temperatura: ritmo de 15 \u00e0 17\u00ba C por hora <\/span><\/li>\n<li class=\"li1\"><span class=\"s1\">Resfriamento gradual: at\u00e9 900\u00ba C, ritmo de 10 \u00e0 12\u00ba C por hora<\/span><\/li>\n<li class=\"li1\"><span class=\"s1\">Condi\u00e7\u00e3o da atmosfera do forno durante o\u00a0resfriamento gradual: ambiente de redu\u00e7\u00e3o<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"> Historicamente, os fornos em Shino eram semi-subterr\u00e2neos, \u00famidos e ineficientes. Parece que o fato de n\u00e3o haver uma queima completa na c\u00e2mara de queima propiciava pe\u00e7as com resultados mais interessantes.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"> Percebemos que o esmalte Shino \u00e9 um esmalte de composi\u00e7\u00e3o simples mas apresenta desafios para o ceramista que quiser obter bons resultados. O surgimento da sua caracter\u00edstica cor escarlate, por exemplo, requer o cumprimento de certos requisitos. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um simples esmalte, a dificuldade do Shino \u00e9 conhecida no ajuste das complexas condi\u00e7\u00f5es, como em\u00a0sua queima final.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Fontes:<\/b> <\/span><\/p>\n<ul>\n<li class=\"li1\">Craig, Euan. The Principles of Shino. http:\/\/euancraig.blogspot.com.br\/2009\/03\/principles-of-shino.html<\/li>\n<li class=\"li1\"><span class=\"s1\"><span class=\"s1\">\u5fd7\u91ce\u91c9.<\/span><\/span><\/li>\n<li class=\"li1\"><span class=\"s1\">Wilson, Richard L.. Inside Japanese Ceramics &#8211; Primer of Materials, Techiniques, and Tradition. Ed. Weatherhill.<\/span><\/li>\n<li class=\"li1\">Video &#8211;\u00a0<span id=\"eow-title\" class=\"watch-title\" dir=\"ltr\" title=\"\u8c4a\u8535\u5fd7\u91ce\u3000\u6311\u6226\u304b\u3089\u5275\u9020\u3078 \u3000\uff08\u5236\u4f5c\uff1aCTK\uff09\">\u8c4a\u8535\u5fd7\u91ce\u3000\u6311\u6226\u304b\u3089\u5275\u9020\u3078.<\/span>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Hjs9IdQ4lCU<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cer\u00e2mica Shino A cer\u00e2mica Shino foi o produto dos fornos das cer\u00e2micas Mino, na cidade de Toki, prov\u00edncia de Gifu, no Jap\u00e3o. Suas pe\u00e7as eram\u00a0famosas por seu esmalte espesso, &#8220;branco como a neve&#8221; com marcas de \u201clabaredas&#8221; escarlates\u00a0que perecem estar bem abaixo da camada do esmalte. 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