{"id":16261,"date":"2024-10-23T11:18:49","date_gmt":"2024-10-23T14:18:49","guid":{"rendered":"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/?p=16261"},"modified":"2024-10-23T11:18:49","modified_gmt":"2024-10-23T14:18:49","slug":"a-magia-do-celadon-como-a-reducao-altera-as-cores-sem-mudar-o-estado-de-oxidacao-do-ferro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/pt\/a-magia-do-celadon-como-a-reducao-altera-as-cores-sem-mudar-o-estado-de-oxidacao-do-ferro\/","title":{"rendered":"A Magia do Celadon: Como a Redu\u00e7\u00e3o Altera as Cores sem Mudar o Estado de Oxida\u00e7\u00e3o do Ferro"},"content":{"rendered":"<p>O esmalte celadon \u00e9 uma das cer\u00e2micas mais admiradas por suas tonalidades sutis de verde e azul, conhecidas por suas profundas associa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e culturais. Mas o que torna essas cores t\u00e3o especiais? A resposta est\u00e1 na complexa qu\u00edmica do ferro presente no esmalte e como ele reage ao processo de queima.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, muitos ceramistas acreditavam que a transforma\u00e7\u00e3o de cor nos esmaltes contendo ferro ocorria por uma mudan\u00e7a no estado de oxida\u00e7\u00e3o do ferro de Fe\u00b3\u207a (\u00f3xido f\u00e9rrico) para Fe\u00b2\u207a (\u00f3xido ferroso). No entanto, um estudo recente publicado na revista Cer\u00e2mica revela que, no caso dos esmaltes celadon, a hist\u00f3ria \u00e9 um pouco diferente \u2013 e mais fascinante!<\/p>\n<p><strong>A Redu\u00e7\u00e3o e o Ferro no Esmalte Celadon<\/strong><\/p>\n<p>Durante o processo de queima em atmosferas redutoras (como aquelas ricas em CO \u2013 mon\u00f3xido de carbono), o ferro no esmalte celadon passa por uma modifica\u00e7\u00e3o estrutural, sem necessariamente mudar completamente seu estado de oxida\u00e7\u00e3o. Em vez de converter todo o Fe\u00b3\u207a em Fe\u00b2\u207a, o ferro mant\u00e9m sua forma de Fe\u2082O\u2083 (\u00f3xido de ferro III), mas de uma forma ligeiramente distorcida.<\/p>\n<p>Essa distor\u00e7\u00e3o ocorre no que \u00e9 conhecido como os octaedros de FeO\u2086, que s\u00e3o estruturas onde o ferro est\u00e1 rodeado por seis \u00e1tomos de oxig\u00eanio. A atmosfera redutora e as altas temperaturas (geralmente entre 1200\u00b0C e 1300\u00b0C) causam uma redistribui\u00e7\u00e3o dos \u00e1tomos de oxig\u00eanio ao redor do ferro, criando uma modifica\u00e7\u00e3o na ordem de curto alcance da estrutura cristalina do esmalte. Embora macroscopicamente o esmalte possa parecer em estado v\u00edtreo, essa mudan\u00e7a sutil altera a maneira como os el\u00e9trons do ferro interagem com os \u00e1tomos de oxig\u00eanio ao seu redor.<\/p>\n<p><strong>Por que Isso Importa para a Cor?<\/strong><\/p>\n<p>A mudan\u00e7a estrutural nos octaedros de FeO\u2086 afeta diretamente as propriedades eletr\u00f4nicas do esmalte. Mesmo sem uma transi\u00e7\u00e3o total de Fe\u00b3\u207a para Fe\u00b2\u207a, a intera\u00e7\u00e3o entre os orbitais dos \u00edons de ferro e os \u00edons de oxig\u00eanio ao redor cria bandas eletr\u00f4nicas h\u00edbridas. Essas bandas est\u00e3o diretamente relacionadas \u00e0 cor do esmalte: no caso dos esmaltes celadon, essa modifica\u00e7\u00e3o resulta em suas famosas tonalidades de azul-esverdeado.<\/p>\n<p>De forma simples, a colora\u00e7\u00e3o nos esmaltes celadon \u00e9 resultado dessa modula\u00e7\u00e3o da estrutura do \u00f3xido de ferro III, e n\u00e3o de uma redu\u00e7\u00e3o completa para \u00f3xido ferroso. O ferro mant\u00e9m seu estado de oxida\u00e7\u00e3o, mas sua configura\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica e estrutural se altera, mudando assim a maneira como a luz \u00e9 absorvida e refletida.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A beleza do celadon est\u00e1 enraizada em uma qu\u00edmica fascinante, onde a redu\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica altera a estrutura do ferro sem mudar completamente seu n\u00edvel de oxida\u00e7\u00e3o. Esse fen\u00f4meno revela como, na cer\u00e2mica, at\u00e9 as menores modifica\u00e7\u00f5es na estrutura podem ter impactos profundos nas propriedades visuais do material. Para os ceramistas, entender essa complexa intera\u00e7\u00e3o entre qu\u00edmica e arte pode abrir novas possibilidades criativas, enquanto preserva a heran\u00e7a tradicional dessas pe\u00e7as t\u00e3o admiradas.<\/p>\n<p><strong>Fonte<\/strong><br \/>\nHidaka, M., et al. Structural and Electronic Properties of Iron Oxides in the Celadon Glazes (II), Cer\u00e2mica (2012).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O esmalte celadon \u00e9 uma das cer\u00e2micas mais admiradas por suas tonalidades sutis de verde e azul, conhecidas por suas profundas associa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e culturais. Mas o que torna essas cores t\u00e3o especiais? A resposta est\u00e1 na complexa qu\u00edmica do ferro presente no esmalte e como ele reage ao processo de queima. 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