{"id":4292,"date":"2018-07-28T23:20:20","date_gmt":"2018-07-29T02:20:20","guid":{"rendered":"http:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/?p=4292"},"modified":"2022-03-03T00:17:15","modified_gmt":"2022-03-03T03:17:15","slug":"as-ceramicas-indigenas-brasileiras-1","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/en\/as-ceramicas-indigenas-brasileiras-1\/","title":{"rendered":"As Cer\u00e2micas Ind\u00edgenas Brasileiras &#8211; Parte I"},"content":{"rendered":"<p>Ol\u00e1 pessoal! :)<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um assunto que h\u00e1 muito tempo tenho vontade de postar no blog.<\/p>\n<p>Consegui ter em m\u00e3os um excelente livro sobre a cer\u00e2mica ind\u00edgena e aprendi muitas coisas interessantes sobre o tema. Gostaria de compartilhar isso com voc\u00eas.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a primeira parte, que trata das generaliza\u00e7\u00f5es no sistema de produ\u00e7\u00e3o das cer\u00e2micas entre os povos ind\u00edgenas. A segunda parte vai tratar do uso das cer\u00e2mica nos rituais ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da diversidade de culturas ind\u00edgenas espalhadas em um imenso territ\u00f3rio tornar dif\u00edcil a generaliza\u00e7\u00e3o, tentei escrever claramente sobre m\u00e9todos e costumes que, de certa forma, s\u00e3o comuns \u00e0s na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o aos leitores com mais experi\u00eancia no assunto ou que conhe\u00e7am algum povo ind\u00edgena em particular que contribuam com o tema, deixando os coment\u00e1rios e sugest\u00f5es para que possamos compartilhar e aprofundar esse conhecimento.<\/p>\n<p><strong>Um Trabalho Feminino<\/strong><\/p>\n<p>A confec\u00e7\u00e3o de vasilhas nas aldeias ind\u00edgenas \u00e9 um trabalho feminino e especificamente de mulheres casadas. Mulheres gr\u00e1vidas ou m\u00e3es de crian\u00e7as pequenas da tribo Waur\u00e1, do Mato Grosso, por exemplo, s\u00e3o proibidas de trabalhar com a argila por acreditarem que algo de ruim possa acontecer com os seus filhos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12919 aligncenter\" src=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/waura-onca-300x262.png\" alt=\"On\u00e7a Waur\u00e1\" width=\"300\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/waura-onca-300x262.png 300w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/waura-onca-500x437.png 500w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/waura-onca.png 665w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em algumas tribos, o trabalho de fazer cachimbos \u00e9 de incumb\u00eancia masculina.<\/p>\n<p><strong>A argila<\/strong><\/p>\n<p>Falando em trabalho masculino, s\u00e3o eles que pesquisam onde se localizam as reservas de argila e fazem a coleta dessa mat\u00e9ria-prima, trazendo-a para a aldeia. Normalmente, o processo de coleta ocorre na \u00e9poca das secas pois s\u00e3o nas margens e leitos dos rios que se localizam os veios das argilas boas para a confec\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as. \u00c0 prop\u00f3sito, um dos fatores que motiva a escolha da localiza\u00e7\u00e3o de novas aldeias \u00e9 a proximidade que est\u00e1 ter\u00e1 com as reservas naturais de argila.<\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas selecionam a argila que n\u00e3o tenha muita areia, caso contr\u00e1rio, as pe\u00e7as tornam-se muito quebradi\u00e7as. Al\u00e9m disso, eles deixam repous\u00e1-la por um tempo antes de us\u00e1-la e, muitas vezes, adicionam mat\u00e9ria org\u00e2nica (ra\u00edzes mo\u00eddas, ossos triturados, etc.) ou inorg\u00e2nica (mica, fedspato, etc..) para &#8220;temperar&#8221; a argila, tornando-a menos pl\u00e1stica e assim menos propensa \u00e0s rachaduras e deforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A moldagem<\/strong><\/p>\n<p>Estando a argila pronta para o uso, a ceramista disp\u00f5e de todos os utens\u00edlios e elementos para que estes fiquem ao alcance das suas m\u00e3os como o barro, a \u00e1gua, os &#8220;temperos&#8221; e os instrumentos de alisamento, como peda\u00e7os de caba\u00e7a, conchas, seixos, etc. e senta-se sobre uma esteira ou banco.<\/p>\n<p>O processo de moldagem mais usual \u00e9 o da sobreposi\u00e7\u00e3o de &#8220;cobrinhas&#8221;: a ceramista primeiro faz o fundo da pe\u00e7a com o achatamento da argila em formato de uma placa circular. Depois, ela alisa nas coxas ou com uma t\u00e1bua, em movimentos de vai-e-vem, cilindros de argila e depois vai dispondo esses segmentos um por cima do outro, formando a vasilha.<\/p>\n<div id=\"attachment_12920\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12920\" class=\"wp-image-12920 size-large\" src=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/SAM_4636-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/SAM_4636-300x225.jpg 300w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/SAM_4636-500x375.jpg 500w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/SAM_4636-768x576.jpg 768w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/SAM_4636-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/SAM_4636-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/SAM_4636.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><p id=\"caption-attachment-12920\" class=\"wp-caption-text\">\u00cdndia Terena preparando para a moldagem das pe\u00e7as. Fonte: Cer\u00e2micas da Nossa Terra. http:\/\/ypuneterena.blogspot.com\/<\/p><\/div>\n<p>Estando com a forma desejada, essas cobrinhas s\u00e3o alisadas com a ponta dos dedos, no sentido vertical. Isso ajuda tamb\u00e9m a tornar a pe\u00e7a mais resistente j\u00e1 que ajuda a ader\u00eancia dos segmentos. Com a vasilha moldada, ela \u00e9 posta para secar, \u00e0 sombra, por alguns dias.<\/p>\n<p><strong>O acabamento<\/strong><\/p>\n<p>Depois de parcialmente seca, as imperfei\u00e7\u00f5es da superf\u00edcie s\u00e3o raspadas usando os instrumentos como conchas, peda\u00e7os de caba\u00e7as, facas ou colheres. Em seguida, \u00e9 feito o polimento com seixos rolados, sementes, etc. usando saliva ou \u00e1gua. A superf\u00edcie ap\u00f3s esse processo fica lustrosa. Esse processo tamb\u00e9m ajuda a melhorar a impermeabilidade da vasilha pronta pois fecha os poros da argila.<\/p>\n<p>Se for o caso, a ceramista faz incis\u00f5es com objetos pontiagudos para dar um efeito decorativo, como desenhos geom\u00e9tricos. \u00c9 tamb\u00e9m nessa fase que se realiza a adi\u00e7\u00e3o de al\u00e7as, bicos, etc.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a \u00e9, ent\u00e3o, posta novamente para secar antes de ser levada para queima.<\/p>\n<p>Antes da queima, por\u00e9m, alguns grupos preparam e aplicam pigmentos. Os Kaing\u00e1ng, por exemplo, presentes desde o Rio Grande do Sul at\u00e9 S\u00e3o Paulo, esfregam a hematita, dando uma cor vermelha na pe\u00e7a. Para que esse pigmento seja fixado eles esfregam as sementes de inaj\u00e1 na superf\u00edcie. J\u00e1 os Waur\u00e1, preparam uma pelota de barro preto com sementes de urucum, que \u00e9 posta para queimar. Ap\u00f3s a queima, essa pelota \u00e9 triturada e o p\u00f3 \u00e9 misturado com \u00e1gua, servindo de pigmento vermelho-claro para as suas cer\u00e2micas.<\/p>\n<p><strong>A queima\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>De uma forma geral, a queima feita pelos povos ind\u00edgenas brasileiros se processa em ambiente com abund\u00e2ncia de oxig\u00eanio (oxidante). S\u00e3o feitas fogueiras de galhos e troncos arranjados em formato c\u00f4nico, criando uma uniformidade de temperatura na queima. As pe\u00e7as ficam totalmente envolvidas nas chamas. Em alguns casos, elas s\u00e3o apoiadas em trempes e a queima ocorre durante uma ou duas horas. Algumas vezes, as pe\u00e7as s\u00e3o reviradas para uniformizar sua queima e em outros casos, s\u00e3o colocadas brasas no seu interior.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m entre os povos ind\u00edgenas, a etapa da queima \u00e9 regida por uma variedade de tabus. Alguns grupos s\u00f3 comem peixes nesse per\u00edodo, outros n\u00e3o admitem a presen\u00e7a de estranhos ou n\u00e3o queimam quando h\u00e1 lua nova.<\/p>\n<div id=\"attachment_4309\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4309\" class=\"wp-image-4309 size-full\" src=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ceracc82mica_tupi-guarani_5.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ceracc82mica_tupi-guarani_5-300x217.jpg 300w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ceracc82mica_tupi-guarani_5.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><p id=\"caption-attachment-4309\" class=\"wp-caption-text\">cer\u00e2micas Tupi Guarani<\/p><\/div>\n<p><strong>A pintura<\/strong><\/p>\n<p>Executada ap\u00f3s a queima, a pintura tem grande ocorr\u00eancia entre os povos ind\u00edgenas. Muitos consideram que a pe\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 completa sem a pintura. Nessa etapa, a divis\u00e3o de trabalho n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o marcante e as tintas podem ser tanto de origem org\u00e2nica (extra\u00eddos do jenipapo, urucum, etc.) ou inorg\u00e2nica (caulim, hematita, etc.). Os pinc\u00e9is podem ser os dedos, gravetos envoltos em chuma\u00e7os de algod\u00e3o sendo menos frequente, por\u00e9m, o uso de penas de aves, cabelo humano, etc.<\/p>\n<div id=\"attachment_12921\" style=\"width: 441px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12921\" class=\"wp-image-12921 size-full\" src=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ceramica-on_C3_A7a-1.jpg\" alt=\"Recipiente de Cer\u00e2mica confeccionada de argila, pelos \u00edndios Waur\u00e1 do parque ind\u00edgena do Xing\u00fa. Dimens\u00f5es: Compr: 29 cm, Larg.: 16 cm e Alt.: 15 cm\" width=\"431\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ceramica-on_C3_A7a-1-300x231.jpg 300w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ceramica-on_C3_A7a-1.jpg 431w\" sizes=\"(max-width: 431px) 100vw, 431px\" \/><p id=\"caption-attachment-12921\" class=\"wp-caption-text\">Recipiente de Cer\u00e2mica confeccionada de argila, pelos \u00edndios Waur\u00e1 do parque ind\u00edgena do Xing\u00fa. Dimens\u00f5es: Compr: 29 cm, Larg.: 16 cm e Alt.: 15 cm. Fonte: http:\/\/www.arteindigena.com.br<\/p><\/div>\n<p>As ceramistas t\u00eam alguma liberdade no tema decorativo mas devem-se manter dentro dos c\u00e2nones gerais que regem a est\u00e9tica do grupo pertencente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da pintura, \u00e9 muito comum o uso de resinas na superf\u00edcie das vasilhas ap\u00f3s a queima. Umas usam a resina do jatob\u00e1, de ac\u00e1cia, simaneiro, o breu de juta\u00ed, o leite da sorva, entre outros. Esse procedimento aumenta a impermeabilidade e a vida \u00fatil da vasilha.<\/p>\n<p>Alguns grupos usam o m\u00e9todo de uma nova queima em ambiente redutor com folhas de mam\u00e3o, etc. para impregnar a superf\u00edcie da pe\u00e7a de elementos impermeabilizantes. A vasilha que sofre esse processo fica negra e algumas vezes uma t\u00e9cnica decorativa \u00e9 usada ao proteger certas \u00e1reas da pe\u00e7a dessa queima de redu\u00e7\u00e3o, criando desenhos claro e escuros.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a limpeza da pe\u00e7a com \u00e1gua, est\u00e1 pronta para o uso.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo post vou seguir sobre o assunto falando sobre o papel da cer\u00e2mica nos rituais dos povos ind\u00edgenas!<\/p>\n<p>Nos vemos l\u00e1! ;)<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><em>Andrade Lima, T\u00e2nia<\/em> in Suma Etnol\u00f3gica Brasileira 2 &#8211; Tecnologia Ind\u00edgena. Coord. Berta G. Ribeiro. Ed. Vozes.<\/li>\n<\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ol\u00e1 pessoal! :) Esse \u00e9 um assunto que h\u00e1 muito tempo tenho vontade de postar no blog. Consegui ter em m\u00e3os um excelente livro sobre a cer\u00e2mica ind\u00edgena e aprendi muitas coisas interessantes sobre o tema. Gostaria de compartilhar isso com voc\u00eas. 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