{"id":3137,"date":"2016-09-19T15:50:14","date_gmt":"2016-09-19T18:50:14","guid":{"rendered":"https:\/\/gustavoassisceramica.wordpress.com\/?p=3137"},"modified":"2022-03-05T11:32:50","modified_gmt":"2022-03-05T14:32:50","slug":"esmaltes-de-cinzas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/en\/esmaltes-de-cinzas\/","title":{"rendered":"Esmaltes de Cinzas"},"content":{"rendered":"<p>Atrav\u00e9s do calor do forno que queima a cer\u00e2mica, grande parte dos materiais entram em combust\u00e3o ou\u00a0se fundem. Dentre\u00a0esses elementos, as cinzas vegetais s\u00e3o um dos componentes mais tradicionais. Elas s\u00e3o usadas como ingredientes de esmaltes e s\u00e3o\u00a0muito populares\u00a0entre os ceramistas do extremo oriente. Esmaltes antol\u00f3gicos como celadon, chun, tenmoku&#8230; Na verdade, \u00e9 dif\u00edcil nomear um esmalte oriental que n\u00e3o utiliza (ou pelo menos utilizou em sua formula\u00e7\u00e3o original) a cinza.<br \/>\nAs cinzas vegetais podem variar em sua composi\u00e7\u00e3o dependendo do tipo de planta, sua idade ou at\u00e9 mesmo se o esp\u00e9cime est\u00e1 sadio ou doente. As monocotiled\u00f4neas (como a grama e o arroz) s\u00e3o mais ricas em sil\u00edcio, material refrat\u00e1rio e formador de vidro. J\u00e1 as dicotiled\u00f4neas cont\u00e9m c\u00e1lcio e magn\u00e9sio, dois elementos fundentes.<\/p>\n<div id=\"attachment_3260\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3260\" class=\"size-medium wp-image-3260\" src=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/sake_set-300x250.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/sake_set-300x250.jpg 300w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/sake_set-500x417.jpg 500w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/sake_set-768x640.jpg 768w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/sake_set.jpg 875w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-3260\" class=\"wp-caption-text\">Jogo de sak\u00ea. Michael Coffee. Esmalte de cinzas (sem lavar). Queima em cone 10 por redu\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Como todos sabem, para se preparar as cinzas \u00e9 necess\u00e1rio queimar o material vegetal. Por\u00e9m, somente cerca de\u00a01% da massa vegetal torna-se cinzas. Isso porque boa parte \u00e9 transformada em\u00a0calor nas chamas das fogueiras. A parte que n\u00e3o \u00e9 combust\u00edvel, como os minerais b\u00e1sicos, permanecem como cinzas. Esses minerais s\u00e3o o resultado da absor\u00e7\u00e3o de elementos inorg\u00e2nicos necess\u00e1rios para a vida da planta. As\u00a0cinzas s\u00e3o, por assim dizer, um extrato dos elementos primordiais oferecidos pelo solo.<br \/>\nPara utilizar as cinzas como esmalte \u00e9 desej\u00e1vel que o forno atinja, pelo menos, cone 10 (cerca de 1.300\u00ba C). Para as cinzas de arroz que, como disse, s\u00e3o mais ricas em sil\u00edcio, as temperaturas devem ser superiores \u00e0 isso. Al\u00e9m disso, a queima por redu\u00e7\u00e3o \u00e9 a que mais se adequa aos esmaltes de cinzas.<\/p>\n<p><strong>O Preparo<\/strong><\/p>\n<p>O preparo n\u00e3o \u00e9 complexo mas \u00e9 trabalhoso. Voc\u00ea pode queimar a madeira em uma churrasqueira, se quiser. Mas raspe o interior dela e limpe bem para que restos de ferrugem n\u00e3o contaminem as cinzas com o ferro. Tamb\u00e9m \u00e9 bom queimar um tipo somente de madeira. Isso porque se voc\u00ea quiser repetir a receita, ter\u00e1 mais chances de resultados parecidos na pr\u00f3xima vez que for fazer. A queima deve ser lenta para assegurar a combust\u00e3o completa do material. Isso pode demorar de\u00a0dois \u00e0 tr\u00eas dias.<\/p>\n<div id=\"attachment_3201\" style=\"width: 179px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3201\" class=\"size-medium wp-image-3201\" src=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/img_0688-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/img_0688-169x300.jpg 169w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/img_0688-500x889.jpg 500w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/img_0688-576x1024.jpg 576w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/img_0688-768x1365.jpg 768w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/img_0688-864x1536.jpg 864w, https:\/\/gustavoassisceramicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/img_0688.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><p id=\"caption-attachment-3201\" class=\"wp-caption-text\">A queima da madeira<\/p><\/div>\n<p>Depois de completamente queimado, voc\u00ea dever\u00e1 separar as cinzas dos peda\u00e7os de carv\u00e3o e outras impurezas. Use uma peneira de malha 80 e coe o material. Aten\u00e7\u00e3o: as cinzas possuem subst\u00e2ncias muito c\u00e1usticas que podem entrar no aparelho respirat\u00f3rio e causar s\u00e9rias irrita\u00e7\u00f5es. Use uma m\u00e1scara e luvas durante esse processo!<br \/>\nAp\u00f3s a coagem das cinzas, voc\u00ea ter\u00e1 duas op\u00e7\u00f5es: poder\u00e1 lavar ou utliz\u00e1-las do jeito que est\u00e3o como ingredientes de um esmalte. As vantagens da lavagem \u00e9 que voc\u00ea consegue retirar os elementos sol\u00faveis que fazem com que o esmalte escorra muito. Para isso, coloque as cinzas em um balde e encha de \u00e1gua. Misture bem. No dia seguinte, descarte a \u00e1gua e as impurezas que estiverem na tona. As cinzas dever\u00e3o estar depositadas no fundo. Repita esse processo por 4 ou 5 vezes at\u00e9 que a \u00e1gua descartada esteja clara. Ap\u00f3s isso, deixe a cinza secar em uma placa de gesso e guarde para o uso no esmalte.<\/p>\n<p><strong>Composi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Agora, resta fazer os testes para ver como as cinzas que voc\u00ea produziu v\u00e3o ficar depois de queimadas.<br \/>\nSeguem as sugest\u00f5es de receitas para os testes do livro de Brian Sutherland, <em>Glazes from Natural Sources<\/em>:<\/p>\n<p>Teste\u00a01:<\/p>\n<table border=\"\u201d1\u2033\" width=\"\u201d390\u2033\" cellspacing=\"\u201d0\u2033\" cellpadding=\"\u201d0\u2033\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>Feldspato<\/td>\n<td>50%<\/td>\n<td>60%<\/td>\n<td>70%<\/td>\n<td>80%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Cinzas<\/td>\n<td>50%<\/td>\n<td>40%<\/td>\n<td>30%<\/td>\n<td>20%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Teste\u00a02:<\/p>\n<table border=\"\u201d1\u2033\" width=\"\u201d390\u2033\" cellspacing=\"\u201d0\u2033\" cellpadding=\"\u201d0\u2033\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>Argila<\/td>\n<td>50%<\/td>\n<td>60%<\/td>\n<td>70%<\/td>\n<td>80%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Cinzas<\/td>\n<td>50%<\/td>\n<td>40%<\/td>\n<td>30%<\/td>\n<td>20%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>nota: a argila deve ser pesada totalmente seca<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o das cinzas \u00e9 uma oportunidade que pode aproximar o ceramista aos elementos naturais mais b\u00e1sicos. Sua obten\u00e7\u00e3o requer pouqu\u00edssimo beneficiamento, fazendo com que o ceramista tenha mais dom\u00ednio sobre os processos produtivos da cer\u00e2mica. Tamb\u00e9m, gra\u00e7as \u00e0 variabilidade do material, oferece um amplo espectro de efeitos a serem explorados.<\/p>\n<p><strong>Fontes:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Forrest, Miranda. The New Ceramics Natural Glazes, Collecting and Making.\u00a0Ed. University of Pennsylvania<\/li>\n<li>Sutherland, Brian. Glazes from Natural Sources. Ed. University of Pennsylvania Press<\/li>\n<\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atrav\u00e9s do calor do forno que queima a cer\u00e2mica, grande parte dos materiais entram em combust\u00e3o ou\u00a0se fundem. Dentre\u00a0esses elementos, as cinzas vegetais s\u00e3o um dos componentes mais tradicionais. Elas s\u00e3o usadas como ingredientes de esmaltes e s\u00e3o\u00a0muito populares\u00a0entre os ceramistas do extremo oriente. 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